Acústica Arquitetônica para Igrejas

 

Por: Ricardo Teodoro – Membro Batista – Arquiteto e Urbanista

Esse é um tema que tira o sono de muita gente no Brasil, especialmente os “usuários” dos recintos que chamamos de “igrejas” e dos vizinhos mais próximos.

 

Leia o artigo até o final para uma compreensão plena! Se você ler apenas o primeiro parágrafo não entenderá o exposto!

Veja o depoimento de um vizinho de uma igreja descrito abaixo:

 

“Peço que alguém me oriente. Moro ao lado de uma igreja evangélica onde o muro dela é colado no meu, ou seja, entre a igreja e a minha casa há uns 3m. O barulho balança a minha janela. Quando tem culto, não dá para ver televisão, dormir, estudar, ou seja, não dá para viver dentro da minha própria casa. Conversar com a minha mãe só dá se a gente gritar. Não sou contra, mas preciso ter sossego pelo menos na minha casa. Estamos vivendo num inferno dentro de casa. Já tentamos conversar com o pastor, mas ele disse para procurarmos nossos direitos. E a polícia vem quando quer. Não sei mais o que fazer”.

Fonte – https://jus.com.br/duvidas/301945/o-abuso-dos-barulhos-das-igrejas

 

Ao acessar o link acima mencionado e ler a página um pouco mais abaixo, você verá que foi demonstrado sobre como fazer para processar a igreja, por “barulho excessivo e perturbação do sossego na vizinhança”. Caso exato sobre afligir a lei no que tange à “poluição sonora”.

Note também que o título da página é “O abuso dos barulhos das igrejas”.

Vamos aos fatos.

Para se abrir uma “igreja” hoje no Brasil não é algo de outro mundo, basta seguir uma cartilha de regras, apresentar alguns documentos e pronto, sua “igreja” está estabelecida.

Pois bem, aí começam os “problemas!”

Na sua grande maioria, as igrejas são instaladas em locais não preparados para tal atividades, especialmente duas:

  1. Local de reunião pública;
  2. Atividade com música (alta) ao vivo.

 

Porque isso acontece?

São vários os fatores, mas vamos listar alguns:

Falta de oferta de locais adequados à Esse é um item que afeta qualquer atividade, igreja não ficaria de fora. Em sua grande maioria, diria que acima de 80% dos casos, a atividade acaba sendo desenvolvida em salões comerciais, garagens residenciais, ou até edificações feitas para este fim, porém com formato retangular, com paredes paralelas, pé direito ora extremamente baixo, ora extremamente alto, com o mínimo e obrigatória infraestrutura necessária para a atividade.

Falta de conhecimento técnico das direções em geral. Esse é um fator muito comum, pois em sua grande maioria, para ser pastor e abrir uma igreja não requer outra formação que não seja a religiosa, não sendo necessário / obrigatório ter outra formação técnica, como administrador, contador, economista, engenheiro, arquiteto, todos esses conhecimentos que de uma forma ou de outra interferem na atividade, porém nem haveria como uma única pessoa dominar tudo isso.

Falta de urgência e percepção da gravidade que é infligir uma lei de incomodidade urbana. Isso se deve muito ao fato de que, ao abrir uma instituição religiosa, as pessoas denominadas como dirigentes de tais grupos, não procuram muito saber sobre o impacto que sua atividade gerará, seja localmente, socialmente e ambientalmente.

 

Quem é que não se incomoda quando o vizinho resolve dar uma festa, não te convida e ainda por cima, coloca um som tão alto que se você usar o autofalante da TV como fone de ouvido, ainda assim você ficará ouvindo a música alta do vizinho? Eu mesmo já chamei a Polícia para isso (confesso…) mas ao chamá-la, mencionei a legislação ao qual eu me baseei para tal chamada e em menos de 3 minutos, o problema estava resolvido, chegaram duas viaturas e simplesmente a festa acabou (a PM, entre suas funções, é uma guardadora do cumprimento das leis de ordem pública). Agora, imagine você, pastor de igreja, ter um vizinho como eu, “mais informado” do que você? Será que essa chance existe? Ela existe sim… basta que o incomodado busque as informações, para que cause algum constrangimento à sua igreja!

 

Parece semelhante não é, as igrejas abrem suas portas, não fazem contato com os vizinhos, não os convidam para “suas festas” e ainda por cima, lhes causam irritação, com seu mal testemunho. Me diga que estou ERRADO (e prove!).

 

Você líder, pastor, se sente assim, derrotado?

 

Vamos às obrigações.

Todo pastor sabe que ele é responsável civil e criminalmente por cada pessoa que frequenta os cultos de sua igreja, ou deveria saber…

É responsabilidade do pastor garantir a salubridade, segurança de uso e estabilidade da edificação.

 

Para isso, é necessário cumprir com todas as obrigações legais de âmbito municipal, estadual e federal.

 

Aí vem a pergunta, “Mas Ricardo, como eu faço para acessar a tudo isso? ”.

 

Vamos nos ater somente ao âmbito da regularidade da edificação, ok?

 

Algumas coisas que é necessário saber antes e durante o funcionamento de uma igreja, veja abaixo uma lista de recomendações – Importante – o líder / representante é responsável civil e criminalmente por cada pessoa que estiver em seu recinto:

  • Verificar a documentação de título de propriedade do imóvel objeto (seja para compra ou locação) – Escritura de compra e venda, matrícula, CND de IPTU, AVCB e outros que se fizerem necessários de acordo com a legislação local;
  • Em posse do carnê do IPTU, verificar junto à municipalidade a permissão para tal uso de acordo com o Zoneamento municipal;
  • Verificar junto à municipalidade quais leis são aplicadas a esta determinada atividade e procurar o profissional indicado para a obtenção das referidas licenças.

90% das cidades, em seu plano diretor e zoneamentos, está estipulado os índices de ruídos que cada atividade pode exercer de acordo com o zoneamento. Em vias gerais, os zoneamentos industriais são os que possuem maiores permissões de emissão de ruídos e os residenciais os de menores permissões.

 

Um exemplo.

 

Em Santo André – SP, nas zonas residenciais, veja o que é considerado o problema de ruído:

Da Distribuição dos Usos por Incomodidade

Lei de Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo 9924 de 2016.

Art. 14. Para fins de localização, os usos e atividades são classificados por fator de incomodidade, nos níveis constantes no Quadro 1, Anexo 3.1, que estabelece os padrões de incomodidade admissíveis.

Parágrafo único. Considera-se incomodidade o estado de desacordo de uso ou atividade com os condicionantes locais, causando reação adversa sobre a vizinhança, tendo em vista suas estruturas físico-ambientais e suas vivências sociais.

Art. 15. Os padrões de incomodidade definem-se na seguinte conformidade:

I – Emissão de ruído: propagação sonora para fora dos limites do lote causada pelo uso de máquinas, equipamentos ou aparelhos ruidosos;

 

Em zonas residências, numa forma geral, são permitidos os ruídos da seguinte ordem:

  • Diurna 55dB;
  • Noturna 50dB.

Isso significa que, para medir corretamente, o correto a ser feito quando chegar um fiscal do meio ambiente de sua cidade é que ele vá até o local do reclamante e faça a medição dentro do recinto do reclamante, como exemplo, se a reclamação é porque não se consegue ver tv no horário de culto, então a medição deve ser feita no horário do culto com música ao vivo e no local da tv do reclamante.

Segundo os parâmetros acima mencionados, há um limite de ruído que se possa gerar, o que fará com que o imediato vizinho ouça esse ruído, porém não seja algo absurdo.

Mas para uma referência, como atingir 55dB?

Cinco homens adultos, conversando alegremente (contanto piada…) alcança facilmente os 55dB. (Quanto mais 100 pessoas ou mais cantando em alto e bom som?)

 

Porque falamos disso tudo?

 

Qual igreja não tem problema em relação a:

  • Barulho excessivo, de acordo com a ótica dos vizinhos;
  • Excesso de veículos estacionados na rua, atrapalhando a circulação de carros locais e passantes.

São poucas, não é? Reflita!

 

Surge a seguinte dúvida na cabeça do líder / pastor “caso um vizinho mais informado do que eu, exija os direitos dele, pelo não cumprimento das minhas obrigações quanto líder local, o que pode acontecer?”.

 

Se as autoridades locais forem acionadas e constatado que a igreja está em situação irregular em algum ou vários aspectos, a igreja passará por:

  • Notificação inicial, solicitando comparecer ao órgão competente para solução da questão;
  • Multa pelo não cumprimento da solicitação anterior;
  • Algumas multas em sequência pelo não atendimento à primeira solicitação;
  • Lacração do imóvel até que TODAS AS PENDÊNCIAS sejam sanadas.

Não creio que portas fechadas seja o objetivo das igrejas no geral.

 

De novo, porque as igrejas “sofrem” tanto com isso?

A resposta é bem simples – Por não procurarem os profissionais adequados para obtenção das devidas licenças.

Isso implica em não conhecer a legislação, pois ela está aí, disponível para todos, você não pode alegar que não sabia, uma vez que o acesso à informação é garantido, porém se você não sabe nem o que procurar… Só te resta a “multa surpresa” não é mesmo?

 

Temos ouvido esse relato continuadamente por muitos anos. Eu por ser Cristão, frequento uma igreja Batista, atuante na área musical da igreja por 26 anos (e ainda atuo), sei bem o que estou falando, exatamente porque nesses 26 anos, vivenciei todos os aspectos sobre tudo o que escrevo aqui, pois também, por um tempo, fui causador de barulho ao vizinho, por falta de conhecimento. Com o avanço da idade e dos cursos técnicos que fizemos durante a vida, fomos aprendendo e adquirindo conhecimentos que hoje nos dá segurança para falarmos do tema.

 

Porque as igrejas sofrem tanto quando o assunto é barulho?

 

Vamos nos conter a algumas características, veja se elas fazem parte da sua realidade.

A maioria das igrejas possuem as seguintes características:

  • Formato interno retangular, com um “palco” em uma extremidade e o público, à frente ao palco até o fundo do recinto;
  • Teto baixo;
  • Teto alto;
  • Formatos paralelos – paredes opostas no mesmo ângulo, teto e piso, com o mesmo ângulo;
  • Piso cerâmico – ou muitas vezes com superfície lisa;
  • Revestimento de parede – Com superfície lisa, incluindo vidros, divisórias em madeira ou plastificadas, ou qualquer outro material de superfície lisa (até mesmo pintura em parede lisa).
  • Equipamento de som inadequado (por vários fatores);
  • Músicos e cantores não preparados para entender o comportamento do som – são excelentes instrumentistas, mas não entendem nada de acústica.

Para exemplificar, algo parecido com essa imagem abaixo:

 

Figura – Ignore questões como banheiros e áreas de apoio, estamos falando do recinto local de reunião pública.

Muitas semelhanças, não é?!!

 

Você pode me perguntar, “mas o problema está no formato? Eu já fui na igreja XPTO e lá era assim, mas o som é maravilhoso, o barulho não sai para fora da igreja e tem algumas semelhanças com o que você menciona!”.

 

Sim, é verdade, algumas semelhanças, mas não todas!!

Um belo exemplo desse, que eu conheço pessoalmente é a igreja Batista do Povo na Vila Mariana, do Pastor “in memorian” Enéas Tognini.

Se você não tem como visitar pessoalmente, vou deixar um link de um culto gravado lá, assista este e outros muitos vídeos disponíveis:

https://www.youtube.com/watch?v=zK6my3DptmY

 

Atenha-se ao item “ espaço de reunião pública”. Se caso você não concordar teologicamente com o que vê, não é disso que estamos falando, guarde o que você pensa para você.

 

As semelhanças que apontamos como as mais comuns, são realmente as mais críticas quando falamos em acústica de espaços com música ao vivo, por algumas caraterísticas técnicas, a saber:

  • Formato interno retangular e retilíneo – Esse formato é bastante eficaz para fazer com o que a percepção interna do som seja de “som embolado”, com repetições indesejadas (conhecidos como delay), qualquer ruído, por menor que seja, parece que está estourando os tímpanos dos presentes, instrumentos de frequência alta então, esses são os piores, como bateria e guitarra, incluindo que algumas igrejas possuem orquestras ou frações de, e cujos instrumentos também reproduzem volumes absurdos que chegam ao limiar da dor;
  • Teto baixo – Sem o devido tratamento acústico faz com que o som seja “comprimido” e aumentando / potencializando a percepção de volume alto;
  • Teto alto – excelente influenciador no item repetições indesejadas;
  • Formatos paralelos – excelente influenciador no item repetições indesejadas;
  • Piso cerâmico – excelente influenciador no item repetições indesejadas;
  • Revestimento de parede – excelente influenciador no item repetições indesejadas;
  • Equipamento de som inadequado – excesso de potência nos equipamentos, equipe responsável despreparada para operação do sistema;
  • Músicos e cantores não preparados para entender o comportamento do som – geralmente o músico / cantor se preocupa com o preparo da sua arte, atendo-se se ao fato de que “devo tocar ou cantar bem, o papel de levar o áudio aos ouvidos do expectador não é meu”. Ato errôneo e continuo nas igrejas.

O que eu preciso fazer para ajustar tudo isso e sem desespero?!!

 

O primeiro passo é procurar quem possa te dar suporte em cada setor deste!

 

Nós possuímos equipe técnica preparada para cada tema acima abordado, incluindo desde a busca do lote (terreno) objeto para construção de uma igreja, análise de legislação aplicada, incluindo os seguintes serviços de projetos e suas devidas licenças junto a órgãos e concessionários públicos:

  • Arquitetura;
  • Estrutura metálica e de concreto;
  • Elétrica – Instalações prediais;
  • Hidráulica – Instalações prediais;
  • Sistema de combate a incêndio – Instalações prediais;
  • Ar condicionado – Instalações prediais;
  • Áudio;
  • Vídeo;
  • Iluminação de palco;
  • Luminotécnica;
  • Acústica arquitetônica.

 

Para construção, reformas e adaptações, temos mão de obra preparada em cada área, afim de obtermos o melhor resultado.

Mini treinamento para músicos, cantores e operadores de áudio sobre como obter o melhor resultado no recinto e equipamentos disponíveis, com análise dos impactos e apontamento de eventuais soluções.

 

Oferecemos a SOLUÇÃO COMPLETA para seu problema!

Pastor entre em contato conosco, teremos o maior prazer em recebe-lo! 🙂 

 

 

Ricardo Teodoro

Arquiteto e Urbanista

 

Rua Gregório Fonseca, 174

Centro  – Santo André – SP

(11) 98957-4723 >> WhatssApp

(11) 4427-9181

E-mail: ricardo@teodoroemarques.com.br

www.teodoroemarques.com.br

 

Se você gostou, compartilhe este artigo em suas redes sociais, nos ajudará na divulgação deste trabalho!

 

Deixe seus comentários, dúvidas, sugestões e críticas, teremos o maior prazer em responder a cada um!